Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens

domingo, junho 08, 2008

sex and the city

quatro amigas, cada uma vivendo uma fase distinta da vida. elas são como irmãs e dividem suas angústias, felicidades, descobertas e dúvidas umas com as outras, e mesmo quando o assunto esgota, elas se sentem em família juntas, nem que seja só para rir muito de coisas absolutamente idiotas. um dia, essas quatro amigas vão juntas ao cinema assistir à história de outras quatro amigas, cada uma vivendo uma fase distinta da vida, que são como irmãs e dividem suas angústias, felicidades, descobertas e dúvidas...

mesmo que fosse para ver na telona apenas um grande videoclipe dos melhores momentos de sex and the city, já teria valido a pena. mas melhor do que isso, o filme surpreendeu pelo roteiro bem amarrado, pelos momentos bem dosados de humor e drama, pela coerência com que manteve as quatro personalidades. impossível não se reconhecer, não se emocionar e tentar esconder os olhos marejados ao final da sessão. sex and the city é um filme mulherzinha sim, sem perder a inteligência e a sensibilidade. ótimo para pequenas auto-análises e cheio de referências que por mais bem intencionado que seja um homem, ele dificilmente vai entender de verdade. foi um dos melhores programas dos últimos tempos, ainda mais especial por causa das companhias.

mas atenção: se ao sair da sala de cinema você quiser ir a um café pedir um cosmopolitan, prepare-se: "inexplicavelmente", terá um boom de pedidos do drinque e o barman estará um bocado sobrecarregado... ;-)

sexta-feira, abril 18, 2008

marmita com arte

tinha que ser coisa de japonês! neste site, fotos de marmitas – que os japas chamam de "bento" – que trazem capas de discos reproduzidas com comida! muita piração! segue uma palhinha aí embaixo, mas vai lá no site que além de mais fotos tem outras coisas bem bacanas também. vale a pena!

quarta-feira, abril 16, 2008

james brown e a gestalt



pulando de site em site, já nem lembro mais como caí neste post, que usa o poster acima para dar uma pequena mas brilhante aula sobre os princípios da gestalt no design. vale a leitura, vai lá.

mas independente de querer aprender qualquer coisa sobre design, só o poster sozinho já merece a reprodução. LINDO PACAS, não?

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

balanço cultural de carnaval

carnaval em beagá, sem dinheiro e com chuva sem parar só podia dar nisso: edredon, namorado e um montão de filmes! vamulá:

sábado

mais estranho que a ficção: muito bom, chegou a me surpreender. curioso que depois me disseram que o maior problema foi ele ter sido vendido como um seguidor de kaufman, coisa que eu não tinha ouvido falar mas que eu mesma pensei no meio do filme. logo, não é uma comparação tão absurda assim. digamos que poderia bem ser um kaufman em início de carreira. ou o donald. enfim, o filme é bom, divertido e inteligente, eu recomendo.

cartola - música para os olhos: decepcionante. eu já tinha achado ruim ao ver que o filme só tinha uma hora e pouco. como contar a vida do cartola em tão pouco tempo? bobear até aqueles especiais da globo são maiores. enfim, ainda bem que é curto, porque é muito ruim. só não digo "péssimo" porque minha religião não permite pôr "péssimo" e "cartola" na mesma frase, mas não foi por falta de esforço da equipe. o áudio é sofrível, as imagens são umas colagens sem pé nem cabeça, não encadeia uma coisa com a outra, não conta a história dele direito, passa um tempão focando nuns trem nada a ver, não põe os depoimentos direito, não mostra nem as músicas direito! triste, pois deu mó vontade de ver um filme bom sobre o cartola.

domingo

a profecia celestina: sim, o tema é controverso, mas eu já sabia do que se tratava. achei o livro ótimo, e ainda bem que já tinha lido, senão não teria entendido patavina. muito corrido, as informações atropeladas, e ainda pareceu bem amador quando lá na frente o sujeito faz referência a algo que é fundamental no livro e tinha sido suprimida no filme. hello, alguém releu o roteiro antes de filmar?

clube da luta: nota onze! eu já tinha visto, mas como foi a primeira vez que vi de novo, ou seja, sabendo o final, acabou sendo um outro filme pra mim, tão bom quanto o primeiro! esse é obrigatório!

segunda

quanto vale ou é por quilo?: do caralho! confesso que assustei quando li a sinopse e achei que lá vinha bomba, mas dei o crédito às críticas positivas e achei fantástico. o filme é tão direto e cru na sua crítica que não tira o nem seu próprio cujo da reta, mas há que se admitir que tem que ter culhão pra patrocinar tamanha exposição de feridas tão bem disfarçadas da nossa sociedade. não importa. com ou sem segundas intenções, o recado foi dado, e bem dado. quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que os abra...

meu nome não é johnny: ó, eu gostei demais, viu? gostei da sinceridade do cara, como ele não se faz de coitadinho pra ganhar a simpatia do espectador, ele foi aquilo mesmo, foi escroto, tava pouco se fudendo, foi em cana, teve o que mereceu. mas pagou, e recomeçou a vida. o filme resvala na pieguice apenas quando mostra a beleza da possibilidade de se recuperar de uma vida de crimes e blablabla, mas porra, aquele manicômio não foi nada romantizado! a barra é pesada mesmo e o cara só se recuperou pq não teve escolha (e pq não era doido mesmo, nem burro). fosse ficção eu ia achar o final meio chulé, mas sendo a história real, não tinha como ser muito diferente.

terça

batismo de sangue: também nacional, também verídico, também chocante, também ótimo. baseado no livro do frei betto, o filme conta a participação dos frades dominicanos na luta contra a ditadura militar no brasil, com destaque para as histórias do próprio frei betto e de seu colega, frei tito. as cenas fortes de tortura são de nausear quem tenha sangue nas veias, o filme é pesado, triste, angustiante, mas eu acho que é o tipo de história que precisa ser contada e lembrada sempre. e, no caso, isso foi feito muito bem.

trapaceiros: pra aliviar a alma no fim do carnaval, woody allen na veia é o melhor remédio. ainda mais quando ele vem com sua faceta mais hilária. "trapaceiros" pode até não ser das melhores produções do cara, mas é até covardia querer que um diretor seja sempre genial. o argumento é bobinho, a história é muitas vezes previsível, mas os diálogos inteligentes e as situações inusitadas não deixam dúvidas quanto à paternidade do filme, e garante muitas e ótimas risadas!

quarta eu trabalhei, humpf.

mas pra facilitar a transição, rolou mais um woody antes de dormir! celebridades, outro filme não-genial mas com o inconfundível dna woodyalleniano. tanto que a gente reconhece o mestre até quando ele está disfarçado de kenneth branagh! boas e despretensiosas risadas garantidas!

sábado, fevereiro 02, 2008

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Nobel para Boal

Do site da CartaCapital:

"Acostumado a figurar no rol dos grandes criadores do teatro, o nome de Augusto Boal foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, ao lado de personalidades da importância de Mikhail Gorbachev e Nelson Mandela. O diretor teatral é indicado pelo trabalho no Teatro do Oprimido, metodologia criada nos anos 60 que mistura arte com ação social. Até a quinta-feira 31, o comitê norueguês receberá manifestações e cartas de apoio à candidatura. Depois disso, vai se reunir para analisá-las e escolher os nomes oficiais de 2008. O anúncio do prêmio, jamais ganho por um brasileiro, acontecerá em outubro.

Sob o lema aprende quem ensina, a presença de Boal extrapola os palcos brasileiros. Sua teoria, que une dramaturgia, grupos populares e direitos humanos, está presente em mais de 70 países. No Brasil, à frente do Centro de Teatro do Oprimido (CTO), no Rio de Janeiro, ele realiza trabalhos em escolas municipais e presídios. Os participantes brincam com figurinos, criam poesias e fazem debates com políticos e historiadores. Dada a acirrada concorrência, as chances de o prêmio vir para o Brasil são poucas. Mas a indicação é um reconhecimento desse longo e louvável trabalho." (Ana Luísa Vieira)

para quem quiser mandar sua carta de apoio à candidatura de Augusto Boal, o endereço é:

The Norwegian Nobel Committee
Henrik Ibsens gate 51
NO-0255 OSLO - Norway

como muito bem diz o meu amigo pirata, "ganhando ou perdendo, Boal e seu trabalho não se tornarão maiores, tampouco menores, e não é isso que está em questão. a questão é: pouco importa a decisão dos jurados; importa, mesmo, é o nosso apoio a qualquer um, de qualquer parte do mundo, que se preste à libertação da espécie de toda e qualquer garra do phoder, o que Boal tem feito há décadas com seu Teatro do Oprimido - e, circunstancialmente, ele ainda é brasileiro, o que torna nossa torcida ainda mais gostosa."

falou e disse! :-)

notícias de uma guerra particular

neste fim de semana eu assisti o documentário "notícias de uma guerra particular", sobre o tráfico de drogas no rio. o filme traz depoimentos de polícia, traficantes e moradores, e apesar de já ter alguns anos, parece que bombou recentemente de novo com essa febre de "capitão nascimento".

o filme é ótimo, pega no estômago em vários pontos e não se limita a mostrar apenas um aspecto e uma conveniente e supostamente fácil solução do problema, pelo contrário, mostra que o troço é tão complexo que realmente não há muita esperança.

dentre vários depoimentos interessantes, destaco uma das falas do chefe de polícia, que me chamou atenção quando ouvi, e mais ainda ao fim do filme, quando um letreiro informa que ele deixou o cargo pouco tempo depois das filmagens. escrevo de memória, mas ele diz mais ou menos:

"uma vez fui designado pra trabalhar em uma cidade pequena, no interior, que estava começando a ter problemas com a violência. nos primeiros meses foi ótimo, todo mundo gostava da gente. até um dia que o segurança de um supermercado deu um safanão num moleque que foi pego roubando e os dois foram autuados. a sociedade ficou revoltada! – 'mas o pivete é ladrão!', diziam, e a gente tinha que explicar: 'não importa, ele errou, mas agredir o infrator também é errado.' e autuamos os dois. a partir daí já começaram a nos olhar torto. quando um grande fazendeiro assassinou o caseiro e foi autuado também, minha equipe se foi completamente hostilizada pela cidade. ora, a lei é pra todo mundo! aí eu me pergunto: quem brada que quer uma polícia não corrupta consegue conviver com ela? está pronto para andar sempre dentro da lei e não tentar aliviar uma multa de trânsito, não dirigir bêbado, não arrumar esquema pra fugir do exército, não sonegar impostos, etc? a sociedade também é corrupta, a polícia no brasil, infelizmente, foi feita pra ser corrupta, porque ela não é pra proteger todo mundo, ela é pra proteger os ricos."

pausa para o mea culpa, nesse momento engolir ficou um pouquinho mais difícil. claro que ele não disse nenhuma novidade, mas é raro ouvir a verdade assim na lata. e olha que eu não sou rica e ainda eu me considero parte da minoria que ao menos tenta fazer tudo direito – se não dentro da lei, pelo menos dentro de certos princípios éticos ou morais, mas atire a primeira pedra aquele que nunca saiu da linha e tentou dar um jeitinho pra se safar.

conclusão: putz, que merda!

enfim, já que o grande mérito do rambo tropical foi trazer à tona o debate sobre o angu de caroço que virou a questão do tráfico e da violência, esse documentário é uma boa oportunidade de trazer o foco da discussão para o mundo real. eu recomendo.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Liberdade para o quê?

Liberdade não consiste em escolher nas prateleiras do supermercado

QUANDO JANTO fora, prefiro os restaurantes onde sou um cliente conhecido, porque, em princípio, eles aceitam com um sorriso meu comportamento, que é um pouco atípico: não gosto de ler o cardápio, peço o prato do qual estou a fim naquela noite, que ele esteja ou não no menu. Caso a cozinha não disponha dos ingredientes necessários, o maître e eu imaginamos um compromisso próximo de meus desejos.

Nota: às vezes os que lêem o cardápio do começo ao fim, à força de hesitar entre massas, risoto, carne ou peixe, acabam se entupindo de pão e couvert - e assim perdem o apetite.

Pensei nisso ao reler "O Paradoxo da Escolha, Por que Mais é Menos", de Barry Schwartz, recentemente traduzido em português (ed. Girafa). Schwartz constata, com razão, que a multiplicação das possibilidades de escolha (que é própria da sociedade de consumo) constitui, de fato, um fardo.

Exemplo: queremos comprar uma calça jeans e descobrimos que existem infinitos cortes, desbotamentos, preços etc. Ótimo, somos LIVRES PARA escolher entre centenas de jeans. Mas, de repente, eis que NÃO somos LIVRES DE uma tarefa, no fundo, fútil: a de encontrar a calça que nos veste melhor na perfeita relação custo/benefício.

Na hora de escolher um carro, uma faculdade, uma profissão, um país ou uma cidade em que morar, as escolhas possíveis são, hoje, incontáveis. Portanto seríamos mais livres, não é? Pode ser. Em compensação, temos a trabalhosa (e, às vezes, desanimadora) incumbência de escolher.

Schwartz opõe dois tipos subjetivos: os "maximizadores" e "os que se contentam com algo suficientemente bom". Os maximizadores querem absolutamente fazer a escolha certa; os outros sabem se satisfazer sem ter que alcançar a certeza de que fizeram o melhor negócio.

Ora, constata Schwartz com razão, o maximizador não é nunca feliz: ele é corroído pelo remorso e pela dúvida (será que examinou efetivamente todas as possibilidades?).

Schwartz chega a imaginar que a epidemia de depressão das últimas décadas tenha uma relação com a multiplicação das escolhas possíveis e, portanto, com a insatisfação crônica de nosso lado maximizador. Obviamente, os que sabem se satisfazer vivem melhor. Conclusão de Schwartz: o excesso de liberdade nem sempre é bom.

Tudo bem. Mas vamos aplicar a visão de Schwartz ao campo amoroso. É claro que, se a tradição nos obrigasse a nos casar com a moça escolhida pelos anciões de nossa aldeia, a vida amorosa seria mais fácil. A liberdade para se juntar com quem quisermos é, de fato, uma complicação: para ter a certeza de que Fulano é meu homem fatal, com quantos Sicranos deverei compará-lo?

Por outro lado, se adotarmos a sabedoria dos que sabem se contentar com o que lhes agrada, nossos parceiros e parceiras não vão gostar.

Em geral, preferimos ser amados por quem acha que somos a melhor escolha possível, em absoluto.

Ou seja, na vida amorosa, os maximizadores sofreriam como sempre, enquanto os que "se contentam" seriam detestados por parceiros e parceiras. Como fica? Pois é, talvez a vida amorosa seja um bom exemplo para descobrir os limites das idéias de Schwartz, porque, nela, a liberdade certamente não consiste em poder escolher o amado numa lista de pretendentes. Amar tem mais a ver com "encontrar" do que com "escolher".

O livro de Schwartz é ótimo e divertido sem contar que pode ajudar todas as pessoas que se inibem diante da multiplicidade dos possíveis. Mas Schwartz parte de um pressuposto, que está implícito desde seu primeiro exemplo (o dos jeans): ele considera a pluralidade das escolhas possíveis como o índice da liberdade. Quando constata que essa liberdade é fonte de tormentos, ele conclui que talvez seja melhor sermos menos livres e mais felizes.

Ora, a visão que Schwartz tem da liberdade é parasitada pelo próprio modelo do consumo, cujos impasses ele castiga.

Ser livre não significa poder escolher entre os objetos disponíveis nas prateleiras do supermercado; ser livre significa saber criar o que queremos e encontrá-lo, mesmo e sobretudo quando não está em lista alguma de liquidações e promoções. Certo, o mal-estar do maximizador é uma patologia da liberdade de escolha. Mas a liberdade de escolher entre as ofertas que estão nos cardápios é, por sua vez, uma deformação da verdadeira liberdade - a de inventar.

--

(texto do psicanalista Contardo Calligaris, que recebi por email, gostei e escolhi publicar. fiquei curiosa pra ler o livro, mas acho que ainda preciso aprender a escolher menos afazeres, para que caibam no meu dia...)

sábado, janeiro 05, 2008

mercado de pulgas

ele voltou, o boêmio voltou novamente!
have fun!
:-)

sábado, dezembro 08, 2007

clube filosófico dominical

"(...) Viera à luz recentemente uma nova obra sobre os limites da obrigação moral – um tema familiar, o qual sofrera uma reviravolta quando um grupo de filósofos resolveu argumentar que, em se tratando de moralidade, a ênfase devia recair não sobre o que fazemos, mas sobre o que deixamos de fazer. Era uma posição potencialmente severa, com implicações desagradáveis para quem procurava levar uma vida sossegada. Exigia mais vigilância e atenção às necessidades dos outros do que Isabel se sentia capaz. Também era uma posição inadequada para quem quisesse se esquecer de algo. Segundo tal ponto de vista, o ato de tirar determinada coisa da cabeça podia ser entendido como uma omissão deliberada e culpável."

---

o livro da vez é "o clube filosófico dominical", de alexander mccall smith, que integra a sempre boa série policial da companhia das letras. o livro é bom, embora a pergunta que primeiro veio na minha cabeça – "mas um policial filosófico?" – realmente seja pertinente. eu adoro policiais, e nunca li um só dessa coleção que fosse ruim, mas posso dizer que achei esse um tanto quanto "deslocado", digamos assim. eu talvez não o publicasse nessa coleção.

o mote é a morte de um rapaz ao cair do balcão de um teatro. em sua queda, por um segundo seu olhar se cruza com o da filósofa isabel dalhousie, que se sente na obrigação moral de desvendar o que realmente aconteceu. mas praticamente não há polícia nesse policial, e o que acompanhamos é a investigação e as conjecturas de isabel em nome de uma responsabilidade ética que ela julga ter adquirido. apesar de o mistério a ser desvendado ser bem construído e prender a atenção, o grande barato do livro são as divagações filosóficas da personagem. confesso que isso me causou uma certa estranheza no início, talvez porque esperasse mais ação, mas depois que entrei no clima comecei a adorar!

ao longo da narrativa, isabel se vê diante de pequenos (ou não...) dilemas morais e/ou éticos, que a fazem pensar, sem prescindir do senso crítico e de suas próprias convicções, sobre o que disseram grandes filósofos a respeito do tema, abrindo questões interessantes que nem sempre se fecham. na verdade quase nunca, como na vida...

---

o trecho que reproduzi acima foi um dos que me fez, tal como isabel, fechar por um instante o livro e os olhos e abrir a mente. não só pelo que diz, mas principalmente pelo que ME diz e pelo momento em que me diz. é curioso como muitas vezes recebemos recados valiosos dos lugares mais inesperados, como uma leitura despretenciosa para ajudar a esquecer o trânsito infernal do lado de fora do ônibus.

como se sentisse uma mão invisível me cutucando, seguida de um sussurro: "ei, você já pensou sobre isso? já tentou ver as coisas por esse lado?". obviamente, não adiantava procurar no ônibus pelo dono da voz sussurante, então fechei o livro e os olhos e fui procurá-lo no lugar mais provável. se achei respostas? não sei, mas acho que isso é o que menos importa... o fundamental é nunca deixar de formular perguntas.

sexta-feira, novembro 23, 2007

loteria

"Às vezes nós pensamos que as pessoas são como décimos da loteria: que estão aí para concretizar nossas absurdas ilusões."

(Isaac Monfort, personagem do livro A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón)

talvez fosse mais impactante se essa fosse a quinta frase completa da página 161, mas é a 32ª da página 252, e mesmo sendo seguida de "– Isaac, com o devido respeito, o senhor bebeu como um gambá e não sabe o que diz.", a verdade é que é esse é o tipo de frase pra gente anotar no nosso caderninho como um lembrete para a vida. não só para deixarmos de depositar nossas absurdas ilusões nos outros, como também para lembrarmos que nós mesmos não somos décimos de loteria para ninguém...

sexta-feira, novembro 16, 2007

não quebre a corrente...

a lud convocou, eu cumpro:

1. Pegar o livro mais próximo.
Peguei. "A Sombra do vento", de Carlos Ruiz Zafón.

2. Abri-lo na página 161.
Hmpf. Eu ainda estou na 125, odeio spoiler, mas vamulá...

3. Procurar a 5ª frase completa.
achei.

4. Postar a frase no blog.
"sorriu-me com cordialidade e voltou para seu jornal, desinteressado."

5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)
então, os dois mais próximos mesmo eram o houaiss e uma gramática, mas esse não estava muito mais longe...

6. Repassar o desafio para cinco blogs
amanda
marcelo
pilar
pirata
sandro

7. O que você está achando desse livro?
lindo! extremamente bem escrita, a história se passa em barcelona, na época do pós-guerra, e acompanha o crescimento de um menino que, aos dez anos, foi levado pelo pai a um lugar secreto, o "cemitério dos livros esquecidos". seguindo uma espécie de ritual para quem entra lá pela primeira vez, o menino escolhe um livro (ou é escolhido por ele) e tem a missão de cuidar para que ele nunca desapareça. fascinado pela história, que devora em uma noite só, o menino sai em busca de outras obras do autor, e descobre que essa não é uma tarefa tão fácil quanto parece. acaba se deparando com histórias cheias de segredos e coisas que não devem ser ditas e se envolvendo em uma investigação digna dos melhores policiais, com direito até a um misterioso personagem que deseja a qualquer preço queimar seu livro, pelo visto o último exemplar da obra do desconhecido autor. Ao mesmo tempo, acompanhamos a transformação do menino em um homem, suas descobertas, frustrações, amores e dúvidas. com pitadas na dose certa de um humor inteligente e dramas sem apelação, todos os elementos se combinam de forma perfeita, é daqueles livros que a gente quer pegar e voltar a ler em qualquer oportunidade que tem.

segunda-feira, novembro 12, 2007

a lua de papel


depois de uns bons meses lendo apenas as indicações bibliográficas para concursos, foi uma delícia devorar em um fim de semana a última aventura do comissário montalbano! policial dos bons, a lua de papel é o mais recente livro de andrea camilleri, escritor italiano obrigatório para os amantes do gênero. além da boa trama investigativa, o humor siciliano dá um tempero especial às histórias. as histórias no plural mesmo, porque minha recomendação não vale só pra esse livro: qualquer camilleri é genial!

quarta-feira, novembro 07, 2007

também vai pegar você!

quanto mais penso e discuto sobre tropa de elite, mais eu percebo como ele é amarradinho nas suas sutis manipulações. não tão sutis quando se pára pra pensar, mas convenhamos, qual é a parcela da população que efetivamente pára pra pensar depois de um filme como esse, cheio de ação, imagens chocantes (ou "iradas"), palavrões e atos de (super)heroísmos de mocinhos detonando com bandidos?

não nego que eu gostei do filme quando vi (pirata, lógico). além do roteiro muito bem feito, pega também a sensação de pertencer a um grupo dos que foram "tocados pela denúncia". a intenção é que o espectador seja fisgado aí, e não perceba que a "grande denúncia" – contra traficantes pé-de-chinelo, policiais mal-pagos enfiados todos num mesmo saco e estereótipos de intelectuaizinhos de esquerda fumadores de maconha – não passa de uma grande cortina de fumaça (sem trocadilho).

já vinha pensando e dizendo isso há algum tempo quando recebi o artigo abaixo por e-mail. nele, o autor usa as palavras exatas que nem sempre eu encontrei pra explicar minha opinião. tropa de elite ainda tem uma chance de ter o mérito de possibilitar um grande e pertinente debate sobre os problemas da violência, da corrupção e do tráfico: se, e somente se, cada vez mais espectadores se permitirem a rebeldia de sair do papel para o qual foram designados e pensar, questionar, discutir.

não existe outro tipo de gente no mundo? não existem outras alternativas? por quê não discutir a desigualdade social como fator gerador de violência? por quê não discutir a legalização das drogas? por quê não discutir a investigação de quem tem realmente tem poder e grana pra continuar mantendo esse esquema? por quê o filme foge tanto dessas perguntas?

porque sou brasileira e não desisto nunca, reproduzo e repasso o artigo abaixo (os grifos são meus). se ele ajudar a sacudir as convicções de uma pessoa só que seja, já valeu a pena:

Tropa de elite: a criminalização da pobreza
(Ivan Pinheiro)

"Homem de preto.
Qual é sua missão?
É invadir favela.
E deixar corpo no chão"
(refrão do BOPE)


Não dá cair no papo furado de que "Tropa de Elite" é "arte pura" ou "obra aberta". Um filme sobre questões sociais não podia ser neutro. Trata-se de uma obra de arte objetivamente ideológica, de caráter fascista, que serve à criminalização e ao extermínio da pobreza. É possível até que os diretores subjetivamente não quisessem este resultado, mas apenas ganhar dinheiro, prestígio e, quem sabe, um Oscar. Vão jurar o resto da vida que não são de direita. Aliás, você conhece alguém no Brasil, ainda mais na área cultural, que se diga de direita? Como acredito mais em conspirações do que no acaso, não descarto a hipótese de o filme ter sido encomendado por setores conservadores. Estou curioso para saber quais foram os mecenas desta caríssima produção, que certamente foi financiada por incentivos fiscais.

O filme tem objetivos diferentes, para públicos diferentes. Para os proletários das comunidades carentes, o objetivo é botar mais medo ainda na "caveira" (o BOPE, os "homens de preto"). O vazamento escancarado das cópias piratas talvez seja, além de uma estratégia de marketing, parte de uma campanha ideológica. A pirataria é a única maneira de o filme ser visto pelos que não podem pagar os caros ingressos dos cinemas. Aliás, que cinemas? Não existe mais um cinema nos subúrbios, a não ser em shopping, que não é lugar de pobre freqüentar, até porque se sente excluído e discriminado.

No filme, os "caveiras" são invencíveis e imortais. O único que morre é porque "deu mole". Cometeu o erro de ir ao morro à paisana, para levar óculos para um menino pobre, em nome de um colega de tropa que estava identificado na área como policial. Resumo: foi fazer uma boa ação e acabou assassinado pelos bandidos.

Para as classes médias e altas, o objetivo do filme é conquistar mais simpatia para o BOPE, na luta dos "de cima", que moram embaixo, contra os "de baixo", que moram em cima. Os "homens de preto" são glamourizados, como abnegados e incorruptíveis. Apesar de bem intencionados e preocupados socialmente, são obrigados a torturar e assassinar a sangue frio, em "nosso nome". Para servir à "nossa sociedade", sacrificam a família, a saúde e os estudos. Nós lhes devemos tudo isso! Portanto, precisam ser impunes. Você já viu algum "caveira" ser processado e julgado por tortura ou assassinato? "Caveira" não tem nome, a não ser no filme. A "Caveira" é uma instituição, impessoal, quase secreta.

Há várias cenas para justificar a tortura como "um mal necessário". Em todas, o resultado é positivo para os torturadores, ou seja, os torturados não resistem e "cagüetam" os procurados, que são pegos e mortos, com requintes de crueldade. Fica outra mensagem: sem aquelas torturas, o resultado era impossível.

Tudo é feito para nos sentirmos numa verdadeira guerra, do bem contra o mal. É impossível não nos remetermos ao Iraque ou à Palestina: na guerra, quase tudo é permitido. À certa altura, afirma o narrador, orgulhoso: "nem no exército de Israel há soldados iguais aos do BOPE".

Para quem mora no Rio, é ridículo levar a sério as cenas em que os "rangers" sobem os morros, saindo do nada, se esgueirando pelas encostas e ruelas, sem que sejam percebidos pelos olheiros e fogueteiros das gangues do varejo de drogas! Esta manipulação cumpre o papel de torná-los ainda mais invencíveis e, ao mesmo tempo, de esconder o estigmatizado "Caveirão", dentro do qual, na vida real, eles sobem o morro, blindados. O "Caveirão", a maior marca do BOPE, não aparece no filme: os heróis não podem parecer covardes!

O filme procura desqualificar a polêmica ideológica com a esquerda, que responsabiliza as injustiças sociais como causa principal da violência e marginalidade. Para ridicularizar a defesa dos direitos humanos e escamotear a denúncia do capitalismo, os antagonistas da truculência policial são estudantes da PUC, "despojados de boutique", que se dão a alguns luxos, por não terem ainda chegado à maioridade burguesa.

Os protestos contra a violência retratados no filme são performances no estilo "viva rico", em que a burguesia e a pequena-burguesia vão para a orla pedir paz, como se fosse possível acabar com a violência com velas e roupas brancas, ou seja, como se tratasse de um problema moral ou cultural, e não social.

A burguesia passa incólume pelo filme, a não ser pela caricatura de seus filhos que, na Faculdade, fumam um baseado e discutem Foucault. Um personagem chamado "Baiano" (sutil preconceito) é a personificação do tráfico de drogas e de armas, como se não passasse de um desses meninos pobres, apenas mais espertos que os outros, que se fazem "Chefe do Morro" e que não chegam aos trinta anos de idade, simples varejistas de drogas e armas, produtos dos mais rentáveis do capitalismo contemporâneo. Nenhuma
menção a como as drogas e armas chegam às comunidades, distribuídas pelos grandes traficantes capitalistas, sempre impunes, longe das balas achadas e perdidas. E ainda responsabilizam os consumidores pela existência do tráfico de drogas, como se o sistema não tivesse nada a ver com isso!


O Estado burguês também passa incólume pelo filme. Nenhuma alusão à ausência do Estado nas comunidades carentes, principal causa do domínio do banditismo. Nenhuma denúncia de que lá falta tudo que sobra nos bairros ricos. No filme, corrupção é um soldado da PM tomar um chope de graça, para dar segurança a um bar. Aliás, o filme arrasa impiedosamente os policiais "não caveiras", generalizando-os como corruptos e covardes, principalmente os que ficam multando nossos carros e tolhendo nossas pequenas transgressões, ao invés de subirem o morro para matar bandido.

A grande sacada do filme é que o personagem ideológico principal não é o artista principal. Este, branco, é o que mais mata. Ironicamente, chama-se Nascimento. É um tipo patológico, messiânico, sanguinário, que manda um colega matar enquanto fala ao celular com a mulher sobre o nascimento do filho.

Mas para fazer a cabeça de todos os públicos, tanto os "de cima" como os "de baixo", o grande e verdadeiro herói da trama surge no final: Thiago, um jovem negro, pacato, criado numa comunidade pobre, que foi trabalhar na PM para custear seus estudos de Direito, louco para largar aquela vida e ser advogado. Como PM, foi um peixe fora d'água: incorruptível, respeitava as leis e os cidadãos. Generoso, foi ele quem comprou os óculos para dar para o menino míope. Sua entrada no BOPE não foi por vocação, mas por acaso.

Para ficar claro que não há solução fora da repressão e do extermínio e que não adianta criticar nem fazer passeata, pois "guerra é guerra", nosso novo herói se transforma no mais cruel dos "caveiras" da tropa da elite, a ponto de dar o tiro de misericórdia no varejista "Baiano", depois que este foi torturado, dominado e imobilizado. Para não parecer uma guerra de brancos ricos contra negros pobres, mas do bem contra o mal, o nosso herói é um "caveira" negro, que mata um bandido "baiano", de sua própria classe, num ritual macabro para sinalizar uma possibilidade de "mobilidade social", para usar uma expressão cretina dos entusiastas das "políticas compensatórias".

A fascistização é um fenômeno que vem sendo impulsionado pelo imperialismo em escala mundial. A pretexto da luta contra o terrorismo, criminalizam-se governos, líderes, povos, países, religiões, raças, culturas, ideologias, camadas sociais.

Em qualquer país em que "Tropa de Elite" passar, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, o filme estará contribuindo para que a sociedade se torne mais fascista e mais intolerante com os negros, os imigrantes de países periféricos e delinqüentes de baixa renda.

No Brasil, a mídia burguesa há muito tempo trabalha a idéia de que estamos numa verdadeira guerra, fazendo sutilmente a apologia da repressão. Sentimos isso de perto. Quantas vezes já vimos pessoas nas ruas querendo linchar um ladrão amador, pego roubando alguma coisa de alguém? Quantas vezes ouvimos, até de trabalhadores, que "bandido tem que morrer"?

Se não reagirmos, daqui a pouco a classe média vai para as ruas pedir mais BOPE e menos direitos humanos e, de novo, fazer o jogo da burguesia, que quer exterminar os pobres, que só criam problemas e ainda por cima não contam na sociedade de consumo. Daqui a pouco, as milícias particulares vão se espalhar pelo país, inspiradas nos heróicos "homens de preto", num perigoso processo de privatização da segurança pública e da justiça. Não nos esqueçamos do modelo da "matriz": hoje, os mais sanguinários soldados americanos no Iraque são mercenários recrutados por empresas particulares de segurança, não sujeitos a regulamentos e códigos militares.

Parafraseando Bertolt Brecht, depois vai sobrar para nós, que teimamos em lutar contra o fascismo e a barbárie, sonhando com um mundo justo e fraterno. A trilha sonora do filme já avisou:

"Tropa de Elite,
Osso duro de roer,
Pega um, pega geral.
Também vai pegar você!"

sexta-feira, outubro 26, 2007

que tropa de elite o quê!

quer ver a "realidade brasileira" nas telas, nua e crua?
quer enxergar a alma humana retratada sem sensacionalismos hollywoodianos?
quer um filme soco no estômago de verdade?
quer assistir uma obra que toca nas feridas - da alma, e não em feridas sociais convenientemente selecionadas?
quer ficar um bom tempo calado olhando a tela preta depois do fim do filme simplesmente porque não sabe - ou não há - o que dizer ou fazer?

assista estamira.


estamira, 63 anos, há 20 cata lixo em um aterro na baixada fluminense. "consciente, lúcida e ciente", estamira é sábia, e não tem o menor pudor em falar o que sabe. "a minha missão, além de eu ser estamira, é revelar a verdade, somente a verdade. seja mentira, seja capturar a mentira e tacar na cara, ou então ensinar a mostrar o que eles não sabem. os inocente. não tem mais inocente, tem esperto ao contrário. esperto ao contrário tem, mas inocente num tem não."

é preciso estar atento e aberto para o que diz estamira. os médicos dizem que ela é louca, mas ela sabe que os remédios só servem para dopá-la, até ela voltar para a consulta daí a 40 dias. estamira é poeta, filósofa, guerreira, sofrida, sobrevivente. "eu, estamira, sou a visão de cada um. ninguém pode viver sem mim. ninguém pode viver sem estamira."

ela está certa. todo mundo deveria conhecer estamira.

segunda-feira, outubro 22, 2007

a palavra


...Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as... Amo tanto as palavras... As inesperadas... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem... Vocábulos amados... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho... Persigo algumas palavras... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda... Tudo está na palavra... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca mais se viu no mundo ... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.

(pablo neruda)

terça-feira, setembro 05, 2006

quem somos nós?





O materialismo moderno tira das pessoas a necessidade de se sentirem responsáveis, assim como a religião! Mas eu acho que se você levar a mecânica quântica a sério, verá que ela coloca a responsabilidade nas nossas mãos e não dá respostas claras e reconfortantes. Ela só diz que o mundo é muito grande e cheio de mistérios.

eu sempre fico meio besta quando eu percebo que tudo está interligado, muito mais que imaginamos. não digo apenas do que esse filme nos mostra (e prova, cientificamente), mas muito mais em ver que tudo o que acabo de assistir se encaixa no quebra-cabeças da minha vida como uma pecinha que une coisas tão aparentemente destoantes, como a meu momento de busca pelo auto-conhecimento, o meu trabalho de pós-graduação, meus relacionamentos, meus problemas financeiros, meus vícios e minhas manias... olho para a minha própria vida e quase me sinto como a protagonista do filme, até meio zonza pelo bombardeio de mensagens e conexões e sinais que parecem me chacoalhar como quem grita: "ôw, será que você AINDA NÃO PERCEBEU???"

O mecanismo não é a resposta, mas não vou dizer qual é, pois vocês têm idade suficiente para tomarem suas decisões.

acho que tô começando a perceber... acho...

quarta-feira, agosto 30, 2006

amor feinho

eu quero amor feinho.
amor feinho não olha um pro outro.
uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
tudo que não fala, faz.
planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
amor feinho é bom porque não fica velho.
cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.
(adélia prado)